A tecnologia é uma das grandes facilitadoras do surgimento do jornalismo colaborativo, prática que ganha cada vez mais força na imprensa atual. Por meio dos dispositivos móveis —laptops, celulares, iPhones e iPads— qualquer um é capaz de captar e transmitir informações para todo o mundo. A simultaneidade é sinônimo desse processo, já que o que seria notícia em determinado local toma proporções mundiais devido à globalização.
Na internet, principal meio de propagação dessa vertente jornalística, há uma infinidade de sites nos quais internautas produzem e divulgam seus textos, fotos e vídeos sobre acontecimentos do seu bairro ou da sua cidade, por exemplo, tornando o fato conhecido e comentado em outras regiões. O Portal G1 possui uma página dedicada à postagem de textos noticiosos, fotos e vídeos de interesse público. O material também pode aparecer no jornal local da cidade onde foi produzido. Outro exemplo é o Jornal do Brasil, que possui um jornal on-line participativo, o JBWiki. Com o slogan “Você é o repórter”, a página convida o internauta a divulgar o seu conteúdo de forma gratuita.
Além dos portais, outro meio muito utilizado para a prática do jornalismo colaborativo é o Twitter. Um dos exemplos mais famosos em que esse site foi utilizado como plataforma de jornalismo colaborativo foi a cobertura que os moradores do Complexo do Alemão fizeram durante a ocupação policial na comunidade, no final do ano passado. O perfil, que se descreve como “o primeiro jornal do Complexo do Alemão”, ganhou seguidores famosos, como os blogueiros Felipe Neto e PC Siqueira, a atriz Cláudia Raia e a apresentadora Sônia Abrão. A iniciativa é válida, pois dá voz a todos, além de mostrar o ponto de vista de quem viu a ação toda acontecer de perto.
O crescimento cada vez maior desta prática possibilitará a população ter mais voz ativa, senso crítico e opinião própria. Entretanto, não se deve sair acreditando em tudo o que é publicado por aí, é preciso ter cautela e saber filtrar as informações. É muito comum leitores se depararem com publicações na internet cuja única fonte é um perfil no Twitter, sem ao menos apurar a informação com mais cuidado.
É dever do jornalista colaborativo se manter sempre bem informado, ser realista e passar o máximo de credibilidade para quem irá ler a notícia.
Um número cada vez maior de empresas e entidades tem se beneficiado com o crescimento das redes sociais para divulgar novos produtos e serviços, mostrar suas ações sustentáveis, fazer promoções, lançar enquetes e outros recursos, sempre buscando se aproximar de seu público. Com isso, fortalecem a marca, melhoram a imagem e abrem espaço para elogios, críticas, sugestões, reclamações, dúvidas, entre outras possibilidades de interação.
A ampliação do atendimento ao consumidor é um dos usos que merece destaque, principalmente, pela grande evolução que está causando no conceito de Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC). Originalmente feito via telefone e Correios e depois por e-mail, esse canal de comunicação do cliente com as empresas costuma ter como grande obstáculo as esperas intermináveis na linha, anotações de protocolo, má-vontade de atendentes e falta de retorno para as queixas, o que costuma inibir o uso do serviço e causar má impressão. Muito mais rápido, barato e eficiente é o uso da internet, que faz com que as mensagens cheguem diretamente a quem interessa, sem ter de passar primeiro por operadores, muitas vezes em início de carreira, nem sempre bem treinados e, muito menos, interessados em resolver os problemas apresentados.
O atendimento feito pelas redes sociais oferece, ainda, informações adicionais sobre o perfil das pessoas que fazem contato, valiosas se forem usadas em ações de marketing. Afinal, benefícios em ganho de imagem e aumento de negócios podem ser obtidos na medida em que a empresa se esforça para considerar as manifestações de seu público e em conhecê-lo mais profundamente, dispondo-se a modelar seus produtos e serviços de acordo com as necessidades e desejos manifestados.
Interessada em se aproximar mais de seus clientes, a Fiat, por exemplo, anunciou, em janeiro, que estuda a possibilidade de investir em um SAC especial para as redes sociais. A montadora até já dispõe de uma área específica, com três pessoas, para se manter ativa no Orkut, Twitter, Facebook, Formspring e Foursquare.
O acesso a esses recursos não se restringe apenas às grandes corporações. Ele pode ser usado por praticamente todas as empresas e entidades, independentemente do tamanho, ou tipo de negócio. Porém, requer acompanhamento constante e a disponibilização de profissionais qualificados para o gerenciamento, tendo que acompanhar ostensivamente as postagens feitas a qualquer hora do dia, respondendo rapidamente com soluções convincentes.
Ser pró-ativo também é essencial. Não só o profissional responsável, mas também outros colaboradores comprometidos têm de investir um tempo para navegar pela internet à procura de postagens sobre a empresa e seus produtos, em especial as de conteúdo negativo. Uma queixa ou denúncia feita em uma rede social pode prejudicar em minutos a imagem de uma corporação e se espalhar de forma incontrolável se não forem tomadas providências rápidas.
A tragédia ocorrida na última quinta-feira (8) na escola em Realengo (RJ) não tem outro nome. Foi isso mesmo de que estão chamando: uma tragédia. Face a uma situação tão triste, não é minha intenção comentar os motivos, o que poderia ser feito para evitá-la, nada disso. De fato, foi algo devastador e inédito em nosso país.
Mas a cobertura midiática do evento não teve nada de original. Foi apressada, por vezes exagerada, em vários pontos preconceituosa e, em poucos casos, acertada.
A necessidade que a mídia tem de estereotipar e classificar —principalmente em casos trágicos— novamente se mostrou. Está certo que o ator do crime era realmente perturbado e de modo algum inocente. No entanto, li diversas matérias na internet que o caracterizavam como religioso islâmico, portador de HIV e outras informações que, além de ainda não comprovadas, são muito mais taxativas do que relevantes para a notícia.
Em vários portais de veículos impressos, foi mencionado o fato de que, na carta de suicídio, Wellington afirmava ser soropositivo. Contudo, não vi em lugar nenhum esse pedaço da carta, e, a partir de ontem à noite, a informação parou de ser mencionada. E quanto a ser islâmico? Também não vi nada que comprovasse isso. Aliás, mesmo que ele fosse soropositivo e islâmico… E daí? Os soropositivos e islâmicos do mundo saem todos por aí matando freneticamente?
No dia seguinte à tragédia, as manchetes também eram todas sobre a repercussão do caso: o enterro das crianças, como a avó de uma delas passou mal no velório, frases de efeito como “eu vi a morte de perto”. Para quê?
Outra cara
Desvantagens da cobertura à parte, alguns textos sobre o caso me emocionaram e mostraram como os blogs e mídias alternativas são importantes nos dias de hoje. Muitos deles criticaram a maneira com que a mídia cobre esse tipo de acontecimento – o sensacionalismo, o foco no superficial etc. Crítica é (quase) sempre bom!
Mas os meus preferidos foram os blogueiros que, especializados em outros temas, deixaram-nos de lado para escrever sobre isso —muitas vezes, de modo mais interessante, informativo, reflexivo. A liberdade que têm essas novas mídias possibilita fugir da hard news de um modo importante nesse tipo de acontecimento.
Vários blogs de esporte (!) que leio normalmente, por exemplo, manifestaram-se de maneira interessante. Destaco textos de Juca Kfouri e Flávio Gomes. Tristes, mas sinceros. E sem a taxação “à la tablóides de fofoca ingleses” que parece ter contaminado de vez parte da mídia atual.
Visando a manutenção de públicos e o posicionamento de mercado, diversas empresas têm desenvolvido ações inovadoras e criativas com o objetivo de fortalecer e diferenciar a imagem de suas marcas. Um dos exemplos mais significativos dessas ações é a publicação de revistas customizadas ou custom publishing. Essa prática refere-se à criação de revistas que atuam para suas empresas como ferramentas de marketing ou relações públicas, e que tem demonstrado, nos últimos tempos, ser um recurso decisivo para agregar valor e cativar clientes. São exemplos a revista da Oi, da Mitsubish, da Fiat e por aí vai.
Segundo o editor espanhol Juan Caño, “fazer revista é manter uma relação de amor com o leitor”. As revistas são veículos especializados, que falam diretamente com “você” e permeiam o espaço da intimidade. Dessa forma, a comunicação ganha outros sentidos que vão além da informação. Ela atrai, envolve e faz com que os leitores compartilhem conhecimento. Por possuir uma linguagem tão próxima do leitor, as revistas se tornam um fio que une um grupo de pessoas e constrói identidades e identificações.
Quando se trata de veículos customizados, aproveitar essa proximidade que as revistas proporcionam com o leitor é fundamental. Provavelmente, a publicação levará o cliente a despender momentos de lazer para a leitura das reportagens. A empresa estará com ele dentro de casa, junto com a família. Além disso, se sentirão motivados a guardar a publicação. Assim como uma coleção, as informações e ideias importantes para a empresa estarão preservadas por muito tempo junto ao leitor.
Ao seguir uma receita editorial que funde jornalismo e publicidade apresentados em uma elaborada interface gráfica, essas revistas têm como foco o constante encantamento dos clientes de suas empresas. Essas publicações trazem matérias exclusivas e conteúdos de interesse do leitor da revista. O resultado é um produto editorial de qualidade, que cumpre seu papel enquanto instrumento de marketing de uma determinada empresa, ao mesmo tempo em que associa informação e entretenimento, conquistando o público pela emoção, plasticidade e cumplicidade.
Dentro desse cenário, percebe-se facilmente o quanto a identidade e o foco dessas revistas estão ajustados ao público ao qual são direcionadas. Fato refletido tanto na escolha de seu conteúdo, quanto na construção de sua forma. Em relação a esse último aspecto, verifica-se ainda que as revistas customizadas buscam proporcionar uma experiência visual prazerosa a seus leitores, investindo intensamente em sedução e originalidade. Uma revista customizada que atende a todos esses pontos certamente possibilita a difusão da cultura empresarial e o fortalecimento da marca.
A discussão sobre o fim dos jornais impressos é tão antiga quanto obsoleta. É ingenuidade acreditar que eles irão encontrar uma maneira para superar as crises, conquistar o público e se reerguer, pelo menos do jeito que são. Até mesmo o grande e todo poderoso The New York Times, o jornal mais prestigioso do mundo, já admitiu que há grandes chances de, em poucos anos, deixar de ser impresso para existir unicamente on-line, por causa dos prejuízos que ele gera à sua editora. Por mais que seu número de assinantes nem seja expressivamente menor do que os acessos à versão online, a impressão e necessidade de distribuição trazem gastos que não existem no mundo virtual.
Isso, porém, não deve ser motivo de preocupação, pois não determina o fim desse tipo de jornalismo, mas sua evolução. O lançamento de gadgets como o iPad, da Apple, é exemplo disso. Dentre as inúmeras possibilidades que o aparelho traz, estão aplicativos para a leitura de livros, revistas e jornais. Além de interfaces bem semelhantes a seus irmãos físicos – alguns, inclusive, têm recursos para simular a passagem de página – as versões virtuais permitem textos mais aprofundados e sem limitação de espaço, recursos de vídeo e áudio e uma total interação com o leitor. Se ainda for considerada a necessidade global de preocupação ambiental, a economia de papel, energia, combustíveis, entre outros, é outra vantagem dos jornais de iPad.
Nessa tendência pelo virtual, nenhuma publicação quer ficar para trás. Muito antes de o iPad chegar ao Brasil, a Rede Globo já tinha um aplicativo com informações sobre a Copa do Mundo. Jornais como a Folha, Estadão e O Globo também já estão disponibilizados no aparelho, bem como revistas tal qual a Veja, a Época e a Caras. Estão até desenvolvendo um jornal exclusivo para o gadget. O projeto está sendo dirigido pelos jornalistas Joaquim Castanheira e Leonardo Attuch e já está recrutando sua equipe. Eles prometem um conteúdo de qualidade e atualizações em tempo real a um singelo preço de US$ 0,99 por semana.
Em Minas, a novidade virtual chegou pelas mãos do jornal Estado de Minas, que se tornou um dos primeiros do mundo a editar uma versão para iPad. O lançamento foi feito em janeiro mas, dois meses antes, o jornal já havia criado uma editoria exclusiva dedicada à produção de conteúdo para o novo formato. A equipe é responsável por adicionar material extra ao jornal, como fotografias e vídeos. A edição para o gadget fica disponível para download a partir das 6h da manhã.
A vantagem dos jornais impressos brasileiros é o abusivo preço do iPad no país. Com uma média de custo de R$ 1.645 (versão de Wi-Fi e 16 GB), contra R$ 848 nos Estados Unidos, o Brasil ainda lidera o ranking dos iPads mais caros do mundo.