Artigo – Para você estar passando adiante

21 novembro 2011 | Redação






*Ricardo Freire

Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando e possa estar deixando discretamente sobre a mesa de alguém que não consiga estar falando sem estar espalhando essa praga terrível da comunicação moderna, o gerundismo. Você pode também estar passando por fax, estar mandando pelo correio ou estar enviando pela internet.

O importante é estar garantindo que a pessoa em questão vá estar recebendo esta mensagem, de modo que ela possa estar lendo e, quem sabe, consiga até mesmo estar se dando conta da maneira como tudo o que ela costuma estar falando deve estar soando nos ouvidos de quem precisa estar escutando.

Sinta-se livre para estar fazendo tantas cópias quantas você vá estar achando necessárias, de modo a estar atingindo o maior número de pessoas infectadas por esta epidemia de transmissão oral.

Mais do que estar repreendendo ou estar caçoando, o objetivo deste movimento é estar fazendo com que esteja caindo a ficha das pessoas que costumam estar falando desse jeito sem estar percebendo.

Nós temos que estar nos unindo para estar mostrando a nossos interlocutores que, sim, pode estar existindo uma maneira de estar aprendendo a estar parando de estar falando desse jeito. Até porque, caso contrário, todos nós vamos estar sendo obrigados a estar emigrando para algum lugar onde não vão estar nos obrigando a estar ouvindo frases assim o dia inteirinho. Sinceramente: nossa paciência está ficando a ponto de estar estourando.

O próximo “Eu vou estar transferindo a sua ligação” que eu vá estar ouvindo pode estar provocando alguma reação violenta da minha parte. Eu não vou estar me responsabilizando pelos meus atos.

As pessoas precisam estar entendendo a maneira como esse vício maldito conseguiu estar entrando na linguagem do dia a dia.

Tudo começou a estar acontecendo quando alguém precisou estar traduzindo manuais de atendimento por telemarketing. Daí a estar pensando que “We’ll be sending it tomorrow” possa estar tendo o mesmo significado que “Nós vamos estar mandando isso amanhã” acabou por estar sendo só um passo.

Pouco a pouco a coisa deixou de estar acontecendo apenas no âmbito dos atendentes de telemarketing para estar ganhando os escritórios. Todo mundo passou a estar marcando reuniões, a estar considerando pedidos e a estar retornando ligações. A gravidade da situação só começou a estar se evidenciando quando o diálogo mais coloquial demonstrou estar sendo invadido inapelavelmente pelo gerundismo.

A primeira pessoa que inventou de estar falando “Eu vou tá pensando no seu caso” sem querer acabou por estar escancarando uma porta para essa infelicidade linguística estar se instalando nas ruas e estar entrando em nossas vidas. Você certamente já deve ter estado estando a estar ouvindo coisas como “O que cê vai tá fazendo domingo?” ou “Quando que cê vai tá viajando pra praia?”, ou “Me espera, que eu vou tá te ligando assim que eu chegar em casa”.

Deus, o que a gente pode tá fazendo pra que as pessoas tejam entendendo o que esse negócio pode tá provocando no cérebro das novas gerações?

A única solução vai estar sendo submeter o gerundismo à mesma campanha de desmoralização à qual precisaram estar sendo expostos seus coleguinhas contagiosos, como o “a nível de”, o “enquanto”, o “pra se ter uma idéia” e outros menos votados.

A nível de linguagem, enquanto pessoa, o que você acha de tá insistindo em tá falando desse jeito?

*(Texto originalmente publicado na coluna Xongas, no Jornal da Tarde, em 16 de fevereiro de 2001 e posteriormente incluído no livro As cem melhores crônicas brasileiras.)

 
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Da Barsa à Wikipédia

19 maio 2010 | Laura Barreto






EnciclopédiaRecebi ontem, dentre os mais de 100 e-mail diários, uma frase que chamou minha atenção: “Ai que saudade dos tempos em que blackberry e Apple eram somente frutas…”

Para a nova geração de profissionais de comunicação, a frase não deve fazer muito sentido. Afinal, eles praticamente nasceram no mundo digital. Para essa turma é impossível imaginar um mundo sem celular, quem dirá sem internet!

Apesar de não fazer parte dessa turma, também não consigo imaginar minha vida sem os recursos tecnológicos e tenho o privilégio de ter sido testemunha dessas mudanças que, assim como qualquer outra, traz coisas positivas e negativas.

Tenho saudade, por exemplo, do tempo em que encontrar alguém significava vê-la pessoalmente e não “abrir o MSN”.  Do tempo em que a gente não sabia quem estava ligando e atendia todo mundo.  Eu sabia o telefone de todos os meus amigos “de cabeça”. Hoje não sei nem o meu próprio número! Meu “HD” não tem espaço pra isso….

Lembro do comercial do orelhão produzido pela Telesp em 1981, e como eu usei os orelhões! As coisas aconteciam do mesmo jeito naquela época. Não com a mesma agilidade e velocidade, mas funcionavam. Em compensação as pessoas não tinham tanta síndrome do pânico e não se morria tanto de infarto.

As pessoas sabiam escrever sem um corretor ortográfico. Livros eram companheiros de viagem!  Obesidade não era um problema mundial, as pessoas andavam!

wikipediaMas longe de mim as aulas de “Moral e Cívica” e de todos os resquícios da ditadura militar… Que bom poder escolher o que ouvir, o que assistir e ter notícias do mundo inteiro on-line! Viva a democracia digital! Sem falar no todo poderoso Google – esse sim, mudou foi tudo. Se não está no Google, não existe. Não é assim?  Barsa, Aurélio, o que é isso?!

Como é bom reencontrar os amigos nas redes sociais, pessoas das quais, se não fossem esses recursos, talvez nunca mais tivesse notícia. Porém, conversar com a seu colega de trabalho que está sentado à sua frente pelo “chat” é demais, né?

Não sei se viverei o suficiente para ser “teletransportada” como no seriado Jornada nas Estrelas, mas, se acontecer, mesmo que velhinha, vou adorar! O negócio é se adaptar e tentar – pelo menos tentar- não se esquecer de que essas máquinas e toda a tecnologia embarcada foram criadas e estão sendo desenvolvidas para nos servir, e não o contrário. Que a pecinha entre a cadeira e o teclado ainda é única e sim, insubstituível!

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